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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Nossa senhora dos Navegantes 1

Hoje o Jornal Diário de Aveiro, na sua secção "Fala o Leitor", publicou este artigo muito interessante, da autoria da Dª Graça Oliveira. Este artigo é mais uma achega para a historia da procissão de Nossa Senhora dos Navegantes. Aqui fica o artigo para quem não leu.

Uma pequena correcção, que não altera em nada o artigo. Onde se lê "...Engº. Barbosa...", deve ler-se "...Engº Barrosa...". Parabéns à autora.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ranchos Folclóricos – III

Grupo Etnográfico no Congresso de Folclore em Espinho
Garrett é pioneiro no estudo da literatura popular, romântico que era e, como todos os românticos, interessado em conhecer a especificidade de cada povo, objectivo que se coadunava com o espírito nacionalista, objectivo ainda que era contrário ao domínio clássico-absolutista da cultura erudita. E foi Adolfo Coelho que fez entrar nos estudos portugueses as palavras folclore (1875) e etnografia (1889). No fim do século passado havia entre nós muitos etnógrafos e folcloristas de que cumpre destacar leite de Vasconcelos e Teófilo Braga, além de Adolfo Coelho, todos republicanos como os outros principais estudiosos da matéria, o que se entende num plano de simpatia e de herança dos ideais românticos.
Quando Salazar chegou ao poder, a etnologia perdeu algum ânimo, mas o Estado Novo lobrigou a importância dos grupos folclóricos, aliás por imitação do que se passava em outros países. O folclore era visto como um meio de propaganda política, pela concentração de artistas populares, criando-se logo em 1933 o Secretariado da Propaganda Nacional, depois SNI (Secretariado Nacional de Informação). Fundam-se numerosos ranchos (tendencialmente chamados regionais), mas também começa a desvirtuação cultural: a espectacularidade afecta frequentemente a verdade, uniformizando-se trajes, refinando-se, com fins estéticos, a dança e o canto, recorrendo-se mesmo a instrumentos musicais estranhos. Entretanto, a etnologia e a etnografia revigoram-se, multiplicam-se as colecções de cantares. A denominação de grupo folclórico aparece cerca de 1950; dantes, o termo usado era o de rancho, tal como agora há quem prefira o qualificativo de etnográfico para rancho ou grupo.
Recentemente, são muitos os estudiosos e responsáveis pelo nosso folclore que se insurgem contra os abusos neste domínio, apelando para a genuinidade cultural. Na verdade, o canto e a dança folclóricos desprestigiaram-se em muitos lugares e os investigadores começaram a mostrar-se cépticos, preferindo esquecê-los em troca da pesquisa directa. Urge restabelecer a autenticidade onde ela não existe, banindo estilizações e efeitos pomposos. Ainda vamos a tempo. E isso é necessário, quando sabemos que novos esquemas económicos e sociais põem em risco a nossa identidade.
Artigo do Jornal “Publico” de 20 de Novembro de 1994, da autoria de António Cabral.

Boas leituras
Rubem da Rocha

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ranchos Folclóricos – II

Nos cantares e danças reflecte-se toda a cultura comunitária: daí que os componentes de um rancho folclórico a sério tenham jus a ser tidos como agentes culturais entre os melhores. Poucos como eles se sentirão à altura de criar um museu etnográfico, assistindo-lhes ainda o dever de lutar contra a descaracterização, a perda de identidade que nos últimos anos ameaça não só a nossa região como também o país em geral. Para tanto basta uma coisa simultaneamente simples e difícil: é necessário que a comunidade local sinta o rancho como seu.
Convém ir um pouco à história escrita de que como sabemos, o grego Heródoto é tido como pai. Ele apoiava-se muito nas tradições orais ou “logoi”, interessando-se pelos costumes populares. Pela época clássica, em toda a Europa, a tendência para estudar nas escolas a cultura grega e latina marginalizou um pouco o gosto pelas coisas do povo, mas podemos sempre encontrar em Portugal homens como Fernão Mendes Pinto, Francisco Alves, António Tenreiro e outros autores de roteiros que se sentem atraídos por muitos usos e costumes. Foi todavia o Romantismo, no dealbar do século XIX, que lançou o grito de alerta. A palavra folclore (do inglês folk-povo; e lore, conhecimento), empregou-a pela primeira vez o inglês Williams Thoms para designar exactamente a “ciência da tradição dos povos civilizados e sobretudo dos meios populares”. Isto em 1846. Antes, em 1807, Campe criou o termo etnografia com sentido de descrição dos povos, ainda que tal sentido evoluísse para a descrição dos povos primitivos, o que hoje já não acontece. Jorge Dias (“Estudos de Antropologia, I”, Imprensa Nacional, 1990, p21) diz assim: “A etnografia observa, analisa e descreve uma determinada cultura e a etnologia sistematiza, compara, generaliza e interpreta em termos gerais”. Também, segundo ele, o folclore é o “ramo da etnografia que visa, em especial, a recolha e descrição das tradições orais, ou melhor, da literatura oral de qualquer povo”. Ergologia é o estudo da cultura material, enquanto etnossociologia consiste no estudo da estrutura social e da psicologia colectiva. De notar que, como as cantigas populares, também os provérbios, as adivinhas, lendas, contos, etc., fazem parte do folclore.
(Continua)
Artigo do Jornal “Publico” de 20 de Novembro de 1994, da autoria de António Cabral.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ranchos Folclóricos - I

O Jornal Publico de 20 de Novembro de 1994, publicou um pequeno artigo da autoria de António Cabral, com o título de “Ranchos Folclóricos”.
Neste início de época penso que será bastante oportuno, não só pelo método de escolha de grupos para os festivais, como também pelas directrizes a tomar na formação de um grupo.

Se neste ano de 1994 procurarmos saber que apreço têm os portugueses pelos ranchos folclóricos, somos bem capazes de apurar que, além da dedicação dos que a eles se ligam pelo trabalho, animação e direcção, existe a curiosidade de alguns estudiosos e o gosto de um público anónimo que, geralmente, não se interessa mais do que pelo espectáculo em si. Ora, é sobretudo o público anónimo que está em causa sempre que se quer avaliar a ressonância de um rancho folclórico.
Penso que a espectacularidade não deve ser objectivo número um, ainda que também seja um valor a considerar para quem se apresenta em publico. Ela pode conduzir a um estado geral de indiferença por aquilo que verdadeiramente é a cultura popular. Conduz, se o espectador não vê mais do que espectáculo. Porque este não penetra a fundo na alma.
É preciso que todos os ranchos ou grupos folclóricos tenham consciência do que representam, fazendo com que essa consciência se difunda por quem assiste às suas actuações. Para isso permitam-me que anuncie um dever fundamental: ser fiel ao património cultural da localidade em nome da qual se fala e actua. Essa fidelidade deve visar a linguagem, os instrumentos musicais, os passos coreográficos e o trajar. Adaptar palavras e expressões, usar instrumentos alheios ou sem uso local, copiar desenhos coreográficos próprios de outros sítios e alterar o traje que se usava constituem atentados à cultura. E é talvez por se ir tomando conhecimento disso que há muita gente que desdenha dos agrupamentos folclóricos, ainda que em muitos casos essa mesma gente só tenha palavras para censurar e não, como devia, para compreender, aconselhar, participar.
Dirigir ou pertencer a um rancho folclórico não é tarefa fácil, deixando já de parte o tempo ocupado na organização e ensaios, para além das recolhas. Fixando-nos nestas, há que reconhecer que todo e qualquer trabalho de levantamento sério é muito difícil, pelo grau de conhecimentos culturais que pressupõe. É que quase tudo o que se relaciona com o viver característico de uma comunidade deve ser considerado e arquivado, não esquecendo particularmente o contacto com as pessoas idosas, os registos paroquiais e outros, a arte caracteristicamente local, rezas, lendas, crenças, jogos, festas, usos e costumes.
(Continua)

sábado, 10 de outubro de 2009

Rigor ou aplauso, o drama do folclore


Navegando pela net encontrei um artigo interessante sobre folclore e que pode ser lido aqui. Espero que o achem interessante, tal como eu o achei, e que sirva de algum modo para uma reflexão profunda sobre a importância de preservar o que os nossos antepassados nos deixaram. Um povo sem memória é um povo sem futuro, ainda mais nos dias de hoje com a tão falada globalização e a consequente perda de identidade.

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