domingo, 24 de janeiro de 2010

O casamento na Gafanha

Para complementar um pouco o que já aqui falamos sobre o Casamento na Gafanha, transcrevemos o que o livro “Gafanha da Boa Hora e o seu povo” do Dr. Manuel Martins Costa, nos diz sobre o Casamento na Gafanha da Boa Hora, que não era muito diferente da nossa.
(…)
… a escolha era feita pelos noivos respeitando os parâmetros tradicionais. Os pais só intervinham depois se o julgassem necessário. A iniciativa era ora do rapaz, ora da rapariga. Esta dava a entender, armava o lanço, diziam os rapazes da época. Se o rapaz simpatizava, combinava novo encontro a que seguiam outros, permitindo um melhor conhecimento mútuo.
Outras vezes era o rapaz quem tinha a iniciativa. Procurava oportunidade para dirigir à rapariga uns galanteios, auscultar a reacção. Se esta era favorável, processava-se o namoro.
Quer o rapaz, quer a rapariga, mas mais esta que aquele, tentavam adivinhar o que pensavam os pais. Se estes não intervinham a sua aprovação era implícita.
Tinha-se muito em consideração a homogamia sócio-profissional, isto é, o casamento operava-se muito no interior do seu grupo social: Jornaleiros com jornaleiras, proprietários com proprietárias. As muito raras excepções só serviam para confirmar a regar.
Também a endogamia geográfica é bem vincada. Dificilmente um de fora da terra vem casar-se aqui. Explica-o mais o profundo isolamento da Gafanha por falta de vias de comunicação, do que o sentimento da comunidade, ver no casamento de um estranho com uma rapariga da Gafanha, uma provocação e um dano para a comunidade e principalmente para os rapazes.
Daqui a frequência de consanguinidade, isto é, o casamento entre parentes afastados, se tornar uma constante.
O namoro também obedecia a determinados hábitos tradicionais. Começava por ter lugar junto do portão da rapariga. Meses depois o rapaz adquiria a liberdade de acompanhar e até auxiliar a rapariga nos afazeres caseiros: tratar do gado, fazer-lhes as camas, mungir as vacas, etc. Numa terceira fase já lhe era permitida autorização para namorar dentro da sala, à luz do candeeiro, a coberto dos olhares indiscretos dos que passavam.
Terminava à hora da ceia. Os familiares comiam da mesma bacia e não convinha repartir a comida. Além disso, era preciso no final arrumar a mesa, dar de comer aos cães e lavar a bacia e os talheres.
Também havia uns dias preferidos. Pouco tempo às terças e quintas e mais uns quartos de hora aos sábados e domingos.

1 comentário:

Ana disse...

Excelente texto do Sr. Dr. Manuel Costa relativo ao namoro de outros tempos (felizmente que já não é do meu:-)))) Adorei!
Este espaço está fantástico!!!
Parabéns ao Grupo Etnográfico e ao meu amiguinho Rubem Garrelhas que me deu a oportunidade de chegar aqui.:-)))
Desejo ao Grupo o maior sucesso e quem sabe um dia não faça no BE HAPPY AVEIRO uma foto-reportagem da sua actuação:-))
Beijinhos para todos,
Ana Paula Lourenço (Aveiro)

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