" O Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré foi fundado no dia 1 de Setembro de 1983, com o propósito de defender os usos e costumes dos nossos antepassados, isto é, dos que habitaram as Gafanhas desde o séc. XVII..."
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Vida e costumes dos pescadores (parte II)
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
O linguajar dos gafanhões (parte III)
Também não podemos esquecer os gafanhões que, nos finais do século XIX e princípios do século XX, aprendiam a ler pouco mais que o “b à bá” em casa de mestres populares, alguns dos quais deixaram marcas que o tempo não apagou. À hora da sesta, no Verão, ou ao serão, no Inverno, os mais atrevidos pelas coisas do saber e da cultura lá sacrificavam horas de descanso, no meio ou ao fim de um dia de trabalho duro, para aprenderem as primeiras letras na Cartilha Maternal de João de Deus, ou letras grossas que vinham da arte natural dos senhores mestres, os “sábios” da aldeia que liam e interpretavam, para quem necessitasse ou os quisesse ouvir, os editais afixados às portas das igrejas ou as notificações dos Tribunais, das Finanças ou militares. E era esta leitura periclitante, aprendida em tempos de lazer, embora poucos e nem sempre frequentes, que facilitava, a alguns, a interpretação de livros de devoção popular, os romances célebres, para raros leitores, de certos clássicos, sem esquecer a literatura de cordel, carregada de dramas passionais e de aberrações da natureza, que era vendida de feira em feira ou de romaria em romaria, por cantadores e cantadeiras que sabiam pôr angústia contagiante em tudo o cantavam. E a propósito, como seria interessante fazer um levantamento dessa literatura de cantar e de ler, e que passava de boca em boca, que os nossos avós tanto apreciavam e que deve andar perdida por alguma arca já carcomida pelo caruncho. Também nos alfarrabistas dos grandes centros ela deve ser procurada, ou, ainda, na memória dos nossos velhinhos mais dados a reterem as coisas do passado, como que a quererem ficar perpetuamente agarrados à sua meninice e juventude.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
As mulheres da Gafanha (parte II)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Vida e costumes dos pescadores (parte I)
A vida do pescador está, por assim dizer, concretizada nas companhas, espécie de sociedades organizadas para a indústria da pesca e compreendidas em duas classes.segunda-feira, 23 de novembro de 2009
O linguajar dos gafanhões (parte II)
domingo, 22 de novembro de 2009
Convocatória
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
As mulheres da Gafanha (parte I)
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Farol da Barra de Aveiro (parte III)
Os trabalhos não foram tão céleres quanto seria de desejar, o que levou o ilustre parlamentar José Estevão a pedir ao Governo, em 4 de Julho de 1862, na Câmara dos Deputados, a construção de um farol na nossa costa. No ano seguinte, em 15 de Setembro, a Câmara Municipal de Aveiro apresentou a el-rei D. Luís uma exposição, requerendo a edificação de um farol ao sul da barra.sábado, 14 de novembro de 2009
O Baptismo na Gafanha - 3
São desnecessárias estas precauções quando os meninos já não são pagões.
A criança não é lavada no dia do baptismo e após ele por respeito à água baptismal.
Eis como as mães embalam os filhos.
………….
Nana, nana, meu menino,
C’a tua mãe logo bem:
Foi labá-las fraldinhas
Á fonte de Belém.
O mê menino é d’oiro,
D’oiro é mê menino;
Hê-de entregá-lo ós anjos
Incanto é pequenino.
Vai-te embora, papão negro,
De cima de mê telhado;
Deixa dormir o menino
Um soninho descansado.
Quem tem o nome de mãe
Nunca passa sem cantar;
Cantas vezes a mãe canta
Com vontade de chorar.
In “Monografia da Gafanha “ do Padre João Vieira Resende.
Boas leituras
Rubem da Rocha
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
O linguajar dos gafanhões (parte I)
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Grupo Folclórico de Vila Verde
Para todos aqueles que gostam de Folclore, iniciamos hoje a apresentação de alguns bons Grupos ou Ranchos Folclórico ou Etnográficos, representativos das várias regiões de Portugal. Espero que gostem.
O Grupo Folclórico de Vila Verde foi fundado em 1958 com o intuito de divulgar e preservar as tradições Etno-Folclóricas deste Concelho que representa, constituído por 58 freguesias predominantemente agrícolas, assim como a região do Baixo Minho, onde se encontra inserido, sendo o mais antigo e representativo Grupo Folclórico do Concelho e um dos mais antigos da região e do país.
Tem participado em todo o país em diversos, variados e mais importantes Festivais de Folclore, de Norte a Sul, inclusive na Região Autónoma da Madeira, e ainda na EXPO 98; e, no estrangeiro, várias vezes em Espanha, incluindo as Ilhas Canárias, França e Alemanha, e também na Itália, Áustria e Eslováquia.
Dentro das suas actividades de difusão do Folclore, realizou Exposições de Trajes e de Instrumentos Musicais; tem participado em programas de Rádio e Televisão; recupera e divulga tradições esquecidas no tempo como os Cantares de Reis, Cânticos Religioso-Populares, Dança do Rei David, entre outros.
Organiza anualmente o Festival Folclórico de Santo António – Luso / Espanhol, que tem sido ponto alto das Festas Concelhias de Vila Verde, onde participam, normalmente, grupos portugueses de regiões variadas e grupos espanhóis, também de diferentes regiões.
Organiza desde 2001 o Festival Folclórico InterNações (Julho) com o objectivo de trazer a Vila Verde, Povos, Tradições e Culturas de todo o Mundo.
É Sócio Efectivo e Fundador da Federação do Folclore Português, onde ocupa lugar no Conselho Técnico; está inscrito no Inatel; foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Municipal em 1983 ao atingir 25 anos de existência; e é Instituição de Utilidade Pública por Despacho Governamental desde 1992.
Historial transcrito do "sítio" do Grupo Folclórico de Vila Verde (http://www.gfvv.web.pt/).
domingo, 8 de novembro de 2009
Farol da Barra de Aveiro (parte II)
Reza assim, na parte que nos diz respeito, como se lê na revista "Arquivo do Distrito de Aveiro", em artigo assinado por Francisco Ferreira Neves:sábado, 7 de novembro de 2009
O Baptismo na Gafanha - 2
A seguir todos se sentavam à mesa e as crianças, à parte, pelo chão e em esteiras, para o jantar, não sendo excluída a família dos padrinhos. Na véspera tinha sido abatido um carneiro ou uma ovelha, que ao tempo não excedia o preço de 500 ou 600 réis.
Três pratos apenas, mas abundantes, sendo o primeiro a sopa de couve com batatas inteiras e negalhos ou molhinhos. Era o prato obrigatório e predilecto da maioria.
Os negalhos eram bocados do bucho e do fato gordurento do carneiro, de toucinho e hortelã, atados em molhinhos com linhas.
A seguir vinha outro prato, ou melhor, a frigideira com o refogado da outra carne que era condimentada com batatas ou com arroz.
De futuro e pela Páscoa, até ao casamento dos afilhados, os padrinhos iam levar-lhes os folares a que chamavam bolos, comprados em Aveiro à padeira de Eixo. Não tinham mais do que 2 ou 3 ovos com excepção do útimo que era no ano do casamento e que tinha 6 ovos.
Os afilhados iam agradecer aos padrinhos, pedindo-lhes a bênção de joelhos. Hoje consiste este agradecimento em ir estimar os padrinhos, oferecendo-lhes amêndoas e vinho, sendo rapazes.
Ainda se conserva o costume de os afilhados saudarem os padrinhos pedindo-lhe a bênção. Todos estes costumes têm recebido levíssimas alterações.
Aos nascimentos e baptismos andam ligadas muitas superstições. Eis algumas:
Se durante a gravidez a mulher trouxer no refego da cintura da saia qualquer objecto, a criança nasce defeituosa. Assim, se a criança nasce com o lábio fendido é sinal de que a mãe trouxe alguma chave no bolso ou na cintura durante a gestação.
Finas manchas rubras a pontear a epiderme denunciam a imprevidência da mãe costureira que arrecadou as agulhas em qualquer dobra dos vestidos junto à cintura.
Outras quaisquer colorações pigmentares, manchas ou sinais que interessam a epiderme da criança, têm a sua explicação no transporte de objectos na cintura, que estejam de harmonia com as colorações figuradas. Pois se a coloração figurativa de uma colher existente no braço de uma mulher, que ainda aqui vive, é apresentada como argumento indiscutível da falta de cautela da mãe! ...
Já não há perigo se os objectos se trouxerem na blusa.
A criança corre sempre o perigo de ser chuchada pelas bruxas antes do baptismo e deste modo morre sem alma. Por vezes a criança aparece viva, mas doente, fora do berço ou a grandes distancias. A criança é chuchada pelas unhas.