- Boletim Cultural n.º 1 - 1985, Gafanha da Nazaré
- Boletim Cultural n.º 2 - 1986, Gafanha da Nazaré
- Etnografia Portuguesa Vol. III - 1980, Dr. J. Leite de Vasconcelos
- Gafanha da N.ª S.ª da Nazaré - 1986, Manuel Olívio da Rocha e Manuel Fernando R. Martins
- Monografia da Gafanha da Nazaré 2ª Edição, Padre João Vieira Rezende
Nele serão focados aspectos, factos e superstições desde o seu nascimento até à morte. Para melhor compreensão, será feito um pequeno historial, sobre o aparecimento e desenvolvimento da Gafanha da Nazaré.
A região das Gafanhas começou a ser habitada no séc. XVII e em 1758 era já uma povoação com “ 14 vizinhos ou fogos e 40 pessoas de sacramento”. Era gente humilde que se entregava, com sacrifício à transformação das dunas improdutivas em terra fértil, que hoje mostra bem a tenacidade dos primeiros Gafanhões.
Quem conheceu, mesmo que superficialmente a história desta região, não pode deixar de admirar quantos aqui se estabeleceram, tão radical foi a transformação que operaram neste recanto beijado pelo mar e pela ria. E se, por um pequeno esforço de memória, pudermos imaginar os modestos meios de que dispunham, então terá de crescer essa admiração e o gosto que sentimos de aos mais novos transmitirmos, vestígios de um passado a todos os títulos glorioso.
No século passado incrementou-se o povoamento, graças a gentes vindas principalmente dos concelhos de Vagos e Mira, tão necessitados se encontravam de terra para cultivar. E é curioso verificar como o povo de Ílhavo e de Aveiro nunca se interessou pelo aproveitamento destes areais esbranquiçados e estéreis, passando por eles, sobretudo a caminho do mar.
Terra beijada pelas águas calmas da formosa Ria de Aveiro, a Gafanha nasceu e criou-se, também à sombra do mar e de tudo o que lhe está ligado, ou não fosse ele e os seus portos razão de ser de grandes povoações.
Em épocas diversas esta região foi ocupada e reocupada por gentes de usos e costumes variados, que se introduziram nos usos e costumes dos caseiros que por aqui se haviam estabelecido, com a ânsia primeira de dominarem dunas teimosas e estéreis, à força de braços habituados a trabalhos duros.
Depois foram os trabalhos nas obras do porto e construção do farol, nos estaleiros e nas secas do bacalhau, nas salinas e na plantação da mata da Gafanha que atraíram esses povos, vindos do Minho até às Beiras, sobretudo onde escasseava o ganha-pão.
Boas leituras
Rubem da Rocha


















