terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Folclore

O interesse pelo folclore nasceu entre o fim do século XVIII e o início do século XIX, quando estudiosos como os Irmãos Grimm e Herder iniciaram pesquisas sobre a poesia tradicional na Alemanha e "descobriu-se" a cultura popular como oposta à cultura erudita cultivada pelas elites e pelas instituições oficiais. Logo esse interesse se espalhou por outros países e se ampliou para o estudo de outras formas literárias, músicas, práticas religiosas e outros factos chamados na época de "antiguidades populares". Neste início de sistematização, os pesquisadores procuravam abordar a cultura popular através de métodos aplicados ao estudo da cultura erudita.
O termo folclore (folklore) é um neologismo que foi criado em 1846 pelo arqueólogo Ambrose Merton - pseudónimo de William John Thoms - e usado numa carta endereçada à revista The Athenaeum, de Londres, onde os vocábulos da língua inglesa folk e lore (povo e saber) foram unidos, passando a ter o significado de saber tradicional de um povo. Esse termo passou a ser utilizado então para se referir às tradições, costumes e superstições das classes populares. Posteriormente, o termo passou a designar toda a cultura nascida principalmente nessas classes, dando ao folclore o status de história não escrita de um povo. Mesmo que o avanço da ciência e da tecnologia tenha levado ao descrédito de muitas dessas tradições populares, a influência do pensamento positivista do século XIX contribuiu para dignificá-las, entendendo-as como elos numa cadeia ininterrupta de saberes que deveria ser compreendida para se entender a sociedade moderna. Assim, com a consciencialização de que a cultura popular poderia desaparecer devido ao novo modo de vida urbano, o seu estudo generalizou-se, ao mesmo tempo que ela passou a ser usada como elemento principal em obras artísticas, despertando o sentimento nacionalista dos povos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Festival do Bacalhau

No âmbito do Mar Agosto 2009/Festas do Município de Ílhavo, vai ter lugar no próximo dia 19 de Agosto, quarta-feira, pelas 18 horas, no Navio-Museu Santo André, a cerimónia de abertura do Festival do Bacalhau 2009, que a Câmara Municipal de Ílhavo organiza em parceria com a Confraria Gastronómica do Bacalhau. Sendo o Município de Ílhavo a Capital Nacional do Bacalhau, esta é uma iniciativa de referência que integra múltiplas atracções de acordo com o seguinte programa:
19 AGOSTO (Quarta-feira)
18:00 horas - Abertura do Festival do Bacalhau Navio-Museu Santo André
19:00 horas / 24:00 horas - Mostra Gastronómica com Tasquinhas de Bacalhau
22:00 horas - Espectáculo com JUST GIRLS
20 AGOSTO (Quinta-feira)
15:00 horas / 18:00 horas - Jornadas do Mar e da Ria Navio-Museu Santo André
22:00 horas - Espectáculo com ROBERTO LEAL
21 AGOSTO (Sexta-feira)
20:00 horas - Arruada com a Filarmónica Gafanhense
22:00 horas - Espectáculo com JOSÉ CID
22 AGOSTO (Sábado)
15:00 horas - Corrida Mais Louca da Ria
17:30 horas / 21:00 horas - Rota das Padeiras
22:00 horas - Espectáculo com PER7UME
23 AGOSTO (Domingo)
10:30 - Construções na Areia Praia da Barra
Comemorações do 8º Aniversário da Inauguração do Navio-Museu Santo André
10:00 horas / 24:00 horas - Dia Aberto (visitas gratuitas ao Navio-Museu Santo André)
14:00 horas / 18:00 horas - Exibição de Jograis-marinheiros Porão e Tombadilho do Navio
18:00 horas - Entrega dos prémios do Concurso de Fotografia “Olhos sobre o Mar” Porão de Salga do Navio-Museu Santo André
22:00 horas - Espectáculo com RITA GUERRA
Jardim Oudinot, Gafanha da Nazaré
Todos os dias 12:00 horas / 15:00 horas e 19:00 horas / 24:00 horas
Mostra Gastronómica com Tasquinhas de Bacalhau
18:00 horas - Mostra de Cinema ao Ar Livre Animação, Exposições, Artesanato, Provas de Vinho,...
(Informação retirada do site da C.M.I.)
O Grupo Etnográfico estará presente neste Festival do Bacalhau com a sua tasquinha. Visite-nos, prove um bom bacalhau e assista aos espectáculos musicais. De certeza que ficará com água na boca, tais as especialidades que o nosso amigo António irá preparar.
Apareça...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

As Gafanhas antes da Ria -6

Como se formou o chamado mar interior, era imperioso que se estabelecesse uma passagem entre o mar exterior e este, ou melhor, entre o mar e a ria. Essa passagem à qual se passou a chamar barra, viria ao longo dos vários séculos, a sofrer muitas alterações, quer de posicionamento, quer de condições de navegabilidade, influenciando assim, de maneira bastante acentuada, as condições de vida de toda a população ribeirinha. Assim, se a barra estava em boas condições, toda esta zona vivia uma época de grande prosperidade, fruto do comércio que então se gerava. Se pelo contrário, a barra estava em más condições, isto acarretava uma diminuição de prosperidade, poiso comércio decaía bastante, aumentando também o número de doenças, já que as águas estagnavam, originando focos de doenças, com por exemplo, peste e febres palustres.
Observando mais atentamente as diversas posições da barra ao longo dos anos, podemos ver que, esta teve posições extremas: A Norte, perto da Torreira e a Sul, em Mira, tendo durante outros períodos ocupado diversas posições, desde São Jacinto, até à chamada Quinta do Inglês, situada entre a Praia da Vagueira e Mira.
A chamada barra nova, que ainda hoje se mantém em funcionamento, viria a ser aberta em 1808, como resultado de todo um processo, que envolveu diversas petições da câmara de Aveiro à Rainha D. Maria I, que após ter mandado vir diversos engenheiros de países estrangeiros, verificou que estes nada conseguiam fazer. A situação mantinha-se, ou seja, a barra variava de posição consoante as vicissitudes do Mar e as condições do tempo, que abriam ou fechavam a barra, resultando daí um grande estado de incerteza entre toda a população, pois conforme atrás disse, as condições de vida variavam com o bom ou mau funcionamento da barra. Como exemplo posso citar o Prof. Orlando de Oliveira, que no seu livro “Origens da Ria de Aveiro” refere:
“A influência decisiva das condições físico-geográficas determinadas por esta volubilidade da barra determina o aparecimento de crises de crescimento de Aveiro, alternando com fases de progresso. Em 1348, a cidade quase ficou despovoada por efeitos de peste, a que se seguiram outros surtos com intervalos de cerca de 10 anos”. Noutro ponto da obra, continua o autor, “A barra fechava, as águas estagnavam, acumulavam-se, o paludismo surgia e uma boa parte da cidade de Aveiro alagava-se. De tudo isto resultavam situações de miséria, doença e abandono. A barra abria, as águas em excesso escoavam-se, as febres palustres desapareciam quase por encanto e com as facilidades de vida, voltavam a ocorrer populações transviadas”.
Como meros dados estatísticos, posso adiantar que em 1575, num período de esplendor de Aveiro, ou seja, em que a barra funcionava bem, a cidade atingiu a bonita soma de 14 000 habitantes, para em 1736, numa fase menos boa da barra, regredir até aos 5 300 habitantes.
Portanto, como se pode verificar por esta análise, a partir do momento em que se formou o cordão de areias, que viria a originar a Ria de Aveiro, as boas ou más condições de navegabilidade da barra, determinam em grande parte, as diversas alterações nas vidas das gentes que por aqui habitavam.

(Continua)

Boas leituras
Rubem da Rocha


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

XXXIII Festival Nacional de Folclore

Conforme se pode ver na imagem acima, o Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré irá deslocar-se no próximo sábado, 15 de Agosto, a Mouriscas, uma freguesia do concelho de Abrantes.
O programa é o seguinte:
18:00 horas - Chegada a Mouriscas,
18:30 horas - Visita à Sala Museu "O Quotidiano do Povo",
19:00 horas - Jantar convívio,
21:00 horas - Trajar,
21:15 horas - Sessão de boas vindas e entrega de lembranças,
21:30 horas - Desfile,
22:00 horas - Início do Festival.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Origens do vocábulo "Gafanha" (parte V)

Dentro dos meus limitados conhecimentos, agrada-me ver essa palavra como um composto originário de dois étimos ou radicais diferentes - gala e fânia - ambos de procedência pré-romana, que, como outros, continuariam a ser comuns ao linguajar do povo, por vezes com feição latina.
No caso de "Gala", também encontramos variantes como "ala", "cala", "pala", "sala", "tala", "vala"...- todos a quererem significar zona lacustre, terra pantanosa ou lamacenta, região de argila ou barro. E diz mais: "Não será, de facto, toda esta zona das Gafanhas uma grande "Gala" maior do que a dos arredores da Figueira?"
Sobre "Fânia", o Padre João Gonçalves Gaspar diz, entre outras oportunas considerações, que, "no português antigo se usava "fânio" para designar uma espécie de junco semelhante ao papiro, planta essa própria das margens dos rios e dos lugares inundados".
Também o nosso conterrâneo, Padre Manuel Maria Carlos, se debruçou sobre o assunto em artigo publicado no Timoneiro de Setembro/Outubro de 1980, acrescentando ao que se tem dito as seguintes considerações: "...o nome inicial de Gafanha devia ter sido Cafânia ou Gafânia, derivado de Gafano. Comparemos com Lusitânia, com Hispânia (que deu Espanha), Bretânia (Bretanha), Alemânia (Alemanha), etc."
(Continua)

sábado, 8 de agosto de 2009

XII Festival de Folclore Praia da Barra 2009

Realiza-se hoje, no largo do Farol, na praia da Barra, o XII Festival de Folclore Praia da Barra 2009. Este festival é organizado pelo Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré em parceria com a Câmara Municipal de Ílhavo, no âmbito das Festas do Munícípio "Mar Agosto".
Para este Festival foram convidados o Grupo Folclórico de São Tiago de Custóias, de Matosinhos, o Grupo de Danças e Cantares da Serra da Gravia, de Valadares (São Pedro do Sul), o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Alpiarça e o Rancho Folclórico da Corelhã, Ponte de Lima.
O programa é o seguinte:
17:00 horas - Recepção aos Grupos e Ranchos,
17:30 horas - Visita à "Casa Gafanhoa" - Museu Municipal e entrega de lembranças,
18:30 horas - Jantar convívio,
21:30 horas - Desfile pela Avenida João Corte Real,
22:00 horas - Início do Festival.

sábado, 1 de agosto de 2009

XVIII Festival de Folclore - Valadares

Amanhã, dia 1 de Agosto, o Grupo Etnográfico participa em mais um Festival de Folclore; desta feita o XVIII do Grupo de Danças e Cantares da Serra da Gravia.
Este Grupo tem a sua sede na freguesia de Valadares, concelho de São Pedro do Sul.
Participam neste Festival os seguintes Grupos e Ranchos:
Grupo de Danças e Cantares da Serra da Gravia - Beira Alta / Dão Lafões,
Rancho Folclórico de São Pedro de Roriz - Santo Tirso - Baixo Minho,
Rancho Folclórico Cancioneiro de Folgosinho - Beira Alta Serrana,
Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré - Beira Litoral Vareira,
Grupo de Danças Raízes Latinas e Sul Rio-Grandenses - Brasil.
O programa é como segue:
16:30 horas - Recepção aos Grupos,
18:00 horas - Jantar convívio,
19:45 Horas - Desfile,
20:00 horas - Início do Festival.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

As Gafanhas antes da Ria -5


Refere o Padre João Gaspar nos seus estudos, que hipoteticamente, cerca de 18 000 anos antes de Cristo, o nível médio das águas do mar encontrar-se-ia cerca de 130 metros abaixo do seu nível actual. Assim, pode-se pensar que a linha da costa estaria de quarenta quilómetros mais para Oeste e que nessa faixa, existiria uma densa e rica vegetação selvagem. Abro aqui um parêntesis, para referir que, ainda não há muito tempo, na zona das Gafanhas, era frequente ao abrir-se um furo para qualquer efeito, aparecerem bolsas de gás, que podem ter resultado precisamente dessa vegetação, que ao ter ficado submersa, terá entrado em decomposição e hoje ao apanhar uma pequena aberta, libertam-se os gases resultantes dessa mesma decomposição. Ainda me lembro de na abertura dos alicerces para uma casa, ter surgido gás e ter estado vários dias a arder.
Mas, voltando ao tema, com o aumento progressivo da temperatura do ar, iniciaram-se os degelos dos glaciares e esta conjugação de factores terá possibilitado que, o nível médio das águas do mar fosse subindo aos poucos e fosse avançando os tais quarenta quilómetros, até se fixar mais ou menos, na linha que se pode ver na figura nº3. Porém entre Espinho, ou propriamente, Gaia e o Cabo Mondego (Figueira da Foz), teria ficado uma baía onde iriam desaguar os rios Caster, Antuã e Boco, além do Vouga a que já me referi.
Mas, simultâneo com a ocorrência deste processo, um outro se desenrolou: A sedimentação, ou depósito de areias no fundo do mar. Estas areias, eram trazidas não só pela força das marés, mas também pelas águas dos diversos rios, que correndo em zonas com pedras, iam acarretando no seu percurso, pequenos fragmentos dessas rochas, que acabavam por se ir fixando também na zona onde o rio se encontrava com o mar.

Este processo de sedimentação teve desenvolvimento contínuo, pelo que, com o passar dos anos, se começou a formar um cordão litoral de areias, onde se viriam a desenvolver as Gafanhas, bem como outras povoações, casos da Murtosa, Torreira e São Jacinto, entre outras. Com o aparecimento deste cordão litoral, viria a formar-se um pedaço de mar interior, dando assim origem à Ria de Aveiro, que viria a ter enorme importância no desenvolvimento de toda esta zona, como adiante veremos.
(Continua)

Boas leituras
Rubem da Rocha

quinta-feira, 23 de julho de 2009

75º Aniversário do Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia


No domingo, 26 de julho, o Grupo Etnográfico desloca-se ao concelho de Esposende, a convite do Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia, para participar no Festival de encerramento das comemorações dos seus 75 anos de existência. É, para nós, motivo de orgulho termos sido convidados por estes nossos amigos para a comemoração de uma data tão importante. Não são 75 dias, nem 75 meses; são 75 anos ligados à recolha e preservação das tradições e da cultura popular da freguesia de Apúlia. O Grupo dos Sargaceiros convidou para a sua festa, além do Grupo Etnográfico, o Rancho Folclórico do Ourondo (Covilhã), o Rancho Folclórico Luz dos Candeeiros (Porto de Mós), o Grupo Folclórico da Região do Vouga (Águeda) e o Rancho Típico de Santa Maria da Reguenga (Santo Tirso). Participa igualmente o Grupo Infantil dos Sargaceiros.

O programa é como segue:

10:30 horas - Chegada dos Grupos,

11:30 horas - Missa Festiva,

12:30 horas - Romagem ao cemitério,

13:00 horas - Almoço convívio,

15:00 horas - Desfile Etnográfico,

15:30 horas - Início do Festival.

XXVII Festival de Folclore de São Félix da Marinha


No próximo fim de semana, o Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré tem duas actuações. Uma no sábado, de que agora vos daremos conta, e uma no domingo.

No sábado, dia 25 de julho, estaremos em São Félix da Marinha, uma freguesia do concelho de Vila Nova de Gaia, para participar no XXVII Festival de Folclore organizado pelo Grupo Folclórico da terra, retribuindo a visita que nos fizeram para participar no nosso Festival do passado dia 11 de Julho.

Participam neste evento os seguintes grupos e ranchos:

Rancho Folclórico de São Miguel do Milharado, de Mafra e que representa a Estremadura Centro Saloia.

Rancho Folclórico do Vimeiro, de Alcobaça e que representa a Alta Estremadura.

Rancho Folclórico "Os Pastores de São Romão", de Seia e que representa a Beira Alta Serrana.

Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila, de Coimbra e que representa a Beira Litoral, Gândara, Bairrada e Mondego.

Folklore Groupe Napredak, da Croácia e que dá um carácter internacional a este Festival.

E claro, o Grupo Etnográfico e o grupo organizador.

O programa é o seguinte:

17:00 horas - Sessão de boas vindas e entrega de lembranças,

18:30 horas - Jantar convívio,

21:00 horas - Desfile,

21:30 horas - Início do Festival.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Origens do vocábulo "Gafanha" (parte IV)

"A Gafanha, no sentido de Gafanhoto grande, liga-se Gafanhoeira com o seu plural, como Sardoeira e Sardoeiras e sardão; mas em fazenda, herdade, a horta do Gafanhão (Alentejo) creio que, conquanto aí se patenteie o referido aumentativo, correspondente a gafanhoto, havemos de ver, não um nome puro e simples de animal, e sim uma alcunha tornada topónimo, de que na nossa língua há inúmeros exemplos".
"Em suma: Gafanha seria na origem um nome zoológico, ou aparentado biológica ou metaforicamente com o gafanhoto, ou ao menos formado como gatanho (tojo-gatão), onde entra o sufixo anho, deduzido de murganho (nome de estirpe latina), e aplicado no feminino".
Depois das considerações autorizadas do sábio Leite de Vasconcelos, ocorre-nos ainda chamar a atenção para o substantivo Gafa (vaso que servia nas salinas para transportar sal) uma vez que, nestas paragens, sal foi coisa que sempre houve.
O ilustre historiador aveirense, Padre João Gonçalves Gaspar, em estudo recente, inclina-se para a hipótese de Gafanha derivar de Galafanha e acrescenta que "Galafanha sempre me serviu de pista para, em confronto com outros nomes de locais e povoações relacionados com a água, descobrir algo mais consentâneo com esta região e com os primitivos juncos nascediços ou ervas selvagens, que por aqui foram aparecendo ao deus-dará e reproduzindo-se sem qualquer entrave.
(Continua)

sábado, 18 de julho de 2009

As Gafanhas antes da Ria -4

Há ainda uma outra teoria ligada com a anterior embora talvez menos divulgada, que refere que esta terra, por ser bastante deserta, fosse comparada à pele dos leprosos, que por motivo de doença se tornava seca e rugosa, sendo assim de certo modo parecida com os solos da Gafanha, também eles secos, rugosos e ásperos.
Para terminar esta parte, referente às origens do nome Gafanha, quero referir uma outra possibilidade, que diz que o nome destas terras poderá ter vindo da palavra “Galafanha”. Quem referiu esta possibilidade foi Pedro José Marques no seu livro Dicionário Geográfico abreviado das oito províncias dos Reinos de Portugal e Algarves, publicado em 1853. Na altura dessa publicação, o autor refere uma zona da freguesia e concelho de Vagos, que se chamaria Galafanha, embora já na altura fosse vulgarmente denominada de Gafanha. Na origem desta palavra, estariam duas palavras distintas, Gala e Fania, que depois se teria transformado em Fanha. Gala na sua origem, queria significar zona alagada; como exemplo podemos referir a ainda hoje chamada Gala, na Figueira da Foz, à qual, quem conhece, pode facilmente reconhecer certas semelhanças com as nossas Gafanhas. Fania, seria uma palavra que significaria, após ter sofrido várias transformações, que não importa muito estar a referir, uma zona em que abundariam certas plantas selvagens, como por exemplo o junco, ervas e outras que cresciam sem qualquer intervenção do homem. Assim por associação, pode dizer-se que, se esta teoria fosse verdadeira, o nome da Gafanha adviria do facto de esta ter sido zona alagada, onde cresciam plantas selvagens.
Irei agora parar um pouco de falar sobre a Gafanha, para falar sobre a Ria, já que, o grande objectivo deste trabalho é estabelecer a ligação entre estas duas vertentes, a terra, representada pelas Gafanhas e a água, pela ria.
Para começar a falar sobre a Ria, irei recuar até antes dos séculos X-XII, para mostrar que, nessa altura, ainda não existia Ria de Aveiro.

A costa portuguesa era muito, mas mesmo muito, diferente daquilo que é nos nossos dias. Assim, o mar tocaria directamente povoações como Ovar, Estarreja, Ílhavo, Aveiro e outras, conforme se pode observar na figura nº 2. Inclusivamente, o Rio Vouga vinha lançar as suas águas directamente no mar, numa espécie de estuário, que se situava entre Angeja e Cacia.
(Continua)

(Figura 2)


Boas leituras
Rubem da Rocha


quarta-feira, 15 de julho de 2009

Rancho Folclórico da Correlhã

Noite de Folclore Luso/Galaico-Correlhã 2009

No próximo dia 18 de Julho, sábado, o Grupo Etnográfico desloca-se ao concelho de Ponte de Lima, à freguesia de Correlhã, para participar na "Noite de Folclore Luso/Galaico-Correlhã 2009".
O programa é o seguinte:
17:00 horas - Chegada a Ponte de Lima,
17:30 - Recepção no Salão Nobre do Município de Ponte de Lima,
18:30 horas - Partida para Correlhã,
19:00 horas - Jantar convívio no Salão de Festas da Srª da Boa Morte,
21:00 horas - Início do desfile,
21:30 horas - Entrega de lembranças e início do Festival.

Participam neste Festival os seguintes Grupos e Ranchos:
Escola Infantil de Folclore da Correlhã - Ponte de Lima
Rancho Folclórico do Cartaxo - Cartaxo
Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré - Ílhavo
Grupo Folclórico de Barcelinhos - Barcelos
Grupo de Gaitas e Danças da Galiza - Espanha
Grupo Folclórico de Porto Santo - Porto Santo
Rancho Folclórico da Correlhã - Ponte de Lima

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Preparativos de um Festival

Quem assiste a um Festival de Folclore muito provavelmente não faz ideia de quanto trabalho é necessário despender e das pessoas e do tempo que isso envolve. Apesar do Festival decorrer no sábado à noite e para que tudo esteja perfeito é preciso começar o trabalho muito antes. Muitas coisas têm de ser transportadas para o local de modo a montar o cenário. Sexta-feira todo o dia e sábado toda a manhã, os elementos do Grupo Etnográfico dividem-se por tarefas pré-definidas e com muito esforço e dedicação tudo fazem para que o Grupo no final se possa orgulhar de mais um Festival de qualidade, que nos dignifique e faça com que quem nos visita sinta vontade de voltar.




Recebemos este ano quatro grupos folclóricos ou etnográficos. Como é norma nestes intercâmbios/permutas os grupos deslocam-se pagando o transporte e ficando a cargo de quem recebe o jantar convívio. O Grupo Etnográfico gosta de receber bem e de proporcionar a quem nos visita uma refeição bem confeccionada. Para que tal seja possível nada melhor do que ter a trabalhar connosco um dos melhores cozinheiros do nosso concelho: o senhor António. Mais do que um colaborador, o senhor António é um grande amigo de longa data, tendo inclusivamente feito parte activa do grupo. Aqui fica o nosso agradecimento pela sua amizade e pela colaboração que tem prestado.

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