" O Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré foi fundado no dia 1 de Setembro de 1983, com o propósito de defender os usos e costumes dos nossos antepassados, isto é, dos que habitaram as Gafanhas desde o séc. XVII..."
domingo, 28 de junho de 2009
Origens do vocábulo "Gafanha" (parte III)
sexta-feira, 26 de junho de 2009
A história do Grupo Etnográfico (parte VIII)
quinta-feira, 25 de junho de 2009
As Gafanhas antes da Ria - 2
Mesmo a agricultura estava bastante ligada à Ria, pois era lá que se ia buscar o moliço para estrumar a terra, o junco para servir de cama aos animais e até as lamas que ajudavam e muito, nas regas, pois os terrenos arenosos absorviam a água e era necessário “forrar” os regos por onde esta corria, para que não se perdesse e chegasse onde o lavrador pretendia.
Socialmente, existe nesta zona uma grande mistura de pessoas; aqui se juntaram gentes de vários pontos do nossos pais, pois vinham aqui encontrar o que não havia nas suas terras de origem – trabalho e por consequência melhoria das condições de vida. Como resultado, temos que, as pessoas das Gafanhas sofreram influências de outras gentes, razão pela qual se modificaram certos hábitos, como por exemplo a maneira de vestir, ou mesmo a linguagem, originando uma terra com uma maneira muito própria de viver, que não tem comparação com a de qualquer das localidades vizinhas, nomeadamente Ílhavo e Aveiro.
Após esta pequena apresentação das Gafanhas, será de certa maneira pertinente colocar no ar a seguinte questão:
Se as Gafanhas estavam tão intimamente ligadas à Ria, como seriam antes da Ria?
Ou posta a questão de outra maneira, será possível imaginar as Gafanhas sem a “companhia” das Águas da Ria?
É isto que vou tentar explicar de seguida.
E vou começar por falar um pouco sobre como terá surgido o nome Gafanha.
Muitas hipóteses se levantaram, umas com mais credibilidade, outras com menos; umas que se foram mantendo durante vários anos, outras que foram imediatamente postas de parte, por se ter chegado à conclusão que eram totalmente inverosímeis.
(Continua)
Boas leituras
Rubem da Rocha
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Praia da Barra

Grupo Típico de Danças e Cantares do Afonsoeiro
É já no próximo sábado, dia 27 de Junho, que o Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré se desloca ao Montijo, a convite do Grupo Típico de Danças e Cantares do Afonsoeiro. Vamos participar no Festival de Folclore Cidade do Montijo.
O programa é o seguinte:
18:00 horas - Chegada e recepção
18:45 horas - Jantar
20:15 horas - Trajar
21:00 horas - Festival
Participam neste Festival os seguintes Grupos:
Grupo Típico de Danças e Cantares do Afonsoeiro - Montijo
Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré
Grupo de Danças e Cantares da Feira - Santa Maria da Feira
Grupo Folclórico de Danças e Cantares de Fonte da Senhora - Alcochete
terça-feira, 23 de junho de 2009
Augusto Gomes dos Santos
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Origens do vocábulo "Gafanha" (parte II)
domingo, 21 de junho de 2009
As Gafanhas antes da Ria -1

Este trabalho foi apresentado no quinto colóquio da Murtosa e posteriormente transcrito no livro do 10º Festival Nacional de Folclore da Gafanha da Nazaré em 1994.
Espero que gostem.
Quando o Grupo me propôs apresentar este tema, pensei um pouco com os meus botões e achei que, à primeira vista, seria um assunto sem ponta por onde se lhe pegar. Mas, depois de reflectir algum tempo e de ter consultado algum material que tinha ao dispor, comecei a verificar que era possível obter algo com interesse para vir apresentar a este colóquio.
Irei começar por situar geograficamente a zona das Gafanhas. É uma zona que, como podem observar na fig. 1, começa na Gafanha da Nazaré e termina já bastante perto de Mira, na Gafanha do Areão. Abrange por isso dois concelhos: Concelho de Ílhavo, do qual fazem parte as Gafanhas da Nazaré, Gafanha da Encarnação, do Carmo, da Boavista e de Aquém.
Por sua vez, no Concelho de Vagos, ficam as Gafanhas da Boa Hora, da Vagueira e do Areão. Pode considerar-se esta zona como sendo uma península, já que se encontra rodeada de água por todos os lados, excepto por um, que é precisamente aquele que dá ligação para Vagos e Mira.
(Continua)
Boas leituras
Rubem da Rocha
sexta-feira, 19 de junho de 2009
A história do Grupo Etnográfico (parte VII)
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila
É já no próximo dia 20 de Junho, sábado, que o Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré se desloca à freguesia de Arzila, situada na margem esquerda do Rio Mondego, a cerca de 13 Km a jusante da cidade de Coimbra, na denominada região do Baixo Mondego. segunda-feira, 15 de junho de 2009
Apontamento sobre o Gafanhão e a areia – 6
Fisicamente mesmo, não se encontram no Gafanhão os traços das restantes povoações ribeirinhas. Não se lhe nota aquele olhar atirado para longe que existe no rosto dos homens de Ílhavo, mais amantes do mar alto, embora vivendo mais longe da costa. Nem mesmo há no Gafanhão a desenvoltura e a viveza do seu vizinho murtoseiro.
Mas o que fundamentalmente caracteriza o homem da Gafanha é a sua psicologia de pessoa prática, mais dada aos interesses do solo que à nostalgia do além do mar, com que sonham em última análise os restantes homens da beira da laguna.
Enquanto o Ilhavense andou ao deus dará pelos sete mares do mundo, cortando rotas, descobrindo terras, visitando praias, foi-lhe na alma gerando como que uma névoa de saudosismo sentimental que deixou aos filhos e aos netos por hereditariedade.
Mas, enquanto isso, o Gafanhão lutou em terra, prosaicamente, dentro de limitados horizontes, no fito de uma construção definida. Moldou-lhe esta circunstância um espírito pragmático, sempre tendo em vista uma finalidade útil e imediata, em vez de um vago ideal de partir a correr mundo, sem saber para quê, como as gaivotas do mar.
O homem do mar luta com os elementos, porque o seu fundo temperamental de poeta o faz instintivamente descobrir na luta quanta beleza existe no esforço titânico do vencedor das ondas e do vento. O Gafanhão, homem de terra, luta sem tréguas, teima e vence, é pertinaz, laborioso e indomável, porque da sua luta surgirá o pão que é para ele a primeira condição da vida.
Por isso, enquanto Ílhavo e Aveiro são hoje terras pobres, embora com poemas de heroicidade escritos nas rotas de um milhão de barcos que tem sulcado as ondas de todos os mares, a Gafanha é simplesmente um celeiro cheio, uma grande arca de pão.
O Gafanhão pretendeu apenas bastar-se, arrancar alimento da areia, ser útil. Não tem consciência da epopeia magnífica erguida em três gerações, com suor e enxadas, à sombra da proa recurvada dos seus moliceiros. Mas nem por isso é menor o seu mérito. Nem por isso a sua Gafanha, a Gafanha que ele fez sozinho, (contra tudo e contra todos), nem por isso a sua Gafanha deixa de ser um triunfo monumental que aí temos a atestar ao Pais e ao Mundo que o braço do homem continua sendo, a grande alavanca da criação e que em boa verdade vence quem teima, porque a fé revolve montanhas. Texto retirado do Arquivo do Distrito de Aveiro – Volume IX de 1943, de Joaquim Matias.
Depois de terminar a transcrição deste texto, gostaria apenas de relembrar, pois penso que também o notaram, na forma simples e melodiosa, de como o autor fez a narração da criação da nossa Gafanha.
Em certas alturas chegou a ser mesmo como que poética, mostrando-nos um Gafanhão persistente, com grande força de vontade, nunca virando a cara à luta. Um Gafanhão que semeava e após a natureza destruir, voltava a semear, tantas até conseguir ter sucesso.
Depois desta descrição neste texto e de toda a história que conhecemos, ninguém deverá ter vergonha de ser Gafanhão e deixar de vez com a persistência de outros nomes.
domingo, 14 de junho de 2009
Origens do vocábulo "Gafanha" (parte I)
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Tomás Ribas

Na área do Folclore e da Etnografia publicou: Danças populares portuguesas, Danças do povo português, Introdução ao estudo das danças populares de Cabo Verde, Introdução ao estudo das danças da África Portuguesa, O Teatro popular de São Tomé e Príncipe, O Tchiloli - Teatro clássico popular de São Tomé e Príncipe, Aspectos da etnografia e do folclore da Nazaré, Guia de recolha de danças populares, O Teatro popular tradicional português, Monografias da dança folclórica da Europa, Danças populares tradicionais portuguesas, Tentativa de uma classificação das danças populares portuguesas, Bosquejo histórico das danças tradicionais portuguesas.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
A história do Grupo Etnográfico (parte VI)
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Apontamento sobre o Gafanhão e a areia – 5
Uma população numerosa e trabalhadora conquistava com a sua enxada o areal desértico e realizava, à custa de um esforço hercúleo e de uma persistência sobre-humana, um grande sonho que havia sido sonhado pelo primeiro Gafanhão que na hostilidade da areia construíra um dia a sua cabana e plantara as primeiras couves.
Principiaram a vingar as searas de milho e feijão. Veio a batata depois, o grão-de-bico, a melancia e a cebola. E uma torrente de fartura manou da terra para as caixas do Gafanhão.
Chegaram negociantes em seguida, à compra dos géneros, e deixaram dinheiro. Para absorve-lo, vieram as lojas e os homens de negócio com relações em outros centros. Metade dos braços que haviam conquistado a areia à improdutividade era agora dispensáveis e emigraram para a América, donde alguns voltaram ricos.
Então o Gafanhão abriu através da areia estradas que asfaltou, por onde rola o seu automóvel de “novo-rico”. Se é proprietário, construiu à beira da estrada o seu palacete e mandou o filho a Coimbra formar-se. Formou sociedades de pesca de bacalhau, construiu estaleiros, fez navios, recrutou pescadores entre os Gafanhões mais pobres e mandou-os à Terra Nova e Gronelândia.
Hoje é a Gafanha um solo riquíssimo, arca de pão nacional que exporta centos de toneladas de todos os géneros para regiões de terra ingrata, onde o trabalho não frutifica.
É um milagre de esforço e de persistência de um rude camponês desconhecido cujo trabalho é uma epopeia grandiosa. É um monumento de triunfo de um homem teimoso que lutou e venceu, ganhando uma vitória tão deslumbrante, quão fantástica foi a luta que sustentou sem desânimo nem fraqueza de espírito.
Aliás, o Gafanhão continua sendo ainda hoje o que ontem foi: persistente e fechado consigo, empreendedor e quase nada comunicativo. No ambiente que a si próprio se criou, foi modelando um carácter de homem só, de lutador que sabe até onde contar consigo, e em pouco se fia do auxilio que possa advir-lhe de alguém ou de algures.
(Continua).
Texto retirado do Arquivo do Distrito de Aveiro – Volume IX de 1943, de Joaquim Matias.