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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

1º Registo de Casamento

Aos desassete dias do mez de Junho, do anno de mil novecentos e onze, na capella da Calle da Villa, d’este logar da Gafanha, concelho d’Ilhavo, Diocese de Coimbra, servindo provisoriamente de Igreja parochial da freguesia de nossa Senhora de Nazareth do mesmo logar, na minha presença compareceram os nubentes Domingos José Soares e Maria de Jesus da Silva, os quaes sei serem os próprios, com todos os papeis do (estylo???) correntes, não lhes apparecendo impedimento algum canónico ou civil; este de vinte e dois annos d’idade, solteiro pescador, natural e morador na freguesia da Murtosa e n’ella baptisado, filho de legitimo de José António Soares e de Maria Joaquina d’Oliveira, naturaes da mesma freguesia, concelho d’Estarreja, Diocese do Porto; ella de vinte e trez annos d’idade, solteira jornaleira, natural d’esta freguesia da Gafanha, filha legitima de Manuel Fernandes Casqueira e de Rosa de Jesus, naturaes d’esta mesma freguesia; a qual foi baptisada na freguesia d’Ilhavo; os quaes nubentes se receberam por marido e mulher, e eu os uni nu matrimónio procedendo em todo este acto conforme o rito da Santa Madre Igreja Catholica, Apostólica romana. Testemunhas presentes, que sei serem os próprios João Peixôto, casado, jornaleiro e Joanna de Jesus Casqueira, casada, ceareira, naturaes d’esta freguesia e nella residentes. E paar constar lavrei este assento, que depois de lido e conferido perante os cônjuges e as testemunhas, não assignam comigo por não saberem escrever. Era ut retro.
O Enconmendado João Ferreira Sardo
Transcrição do 1º registo de casamento na paroquia da Gafanha da Nazaré.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O casamento na Gafanha

Para complementar um pouco o que já aqui falamos sobre o Casamento na Gafanha, transcrevemos o que o livro “Gafanha da Boa Hora e o seu povo” do Dr. Manuel Martins Costa, nos diz sobre o Casamento na Gafanha da Boa Hora, que não era muito diferente da nossa.
(…)
… a escolha era feita pelos noivos respeitando os parâmetros tradicionais. Os pais só intervinham depois se o julgassem necessário. A iniciativa era ora do rapaz, ora da rapariga. Esta dava a entender, armava o lanço, diziam os rapazes da época. Se o rapaz simpatizava, combinava novo encontro a que seguiam outros, permitindo um melhor conhecimento mútuo.
Outras vezes era o rapaz quem tinha a iniciativa. Procurava oportunidade para dirigir à rapariga uns galanteios, auscultar a reacção. Se esta era favorável, processava-se o namoro.
Quer o rapaz, quer a rapariga, mas mais esta que aquele, tentavam adivinhar o que pensavam os pais. Se estes não intervinham a sua aprovação era implícita.
Tinha-se muito em consideração a homogamia sócio-profissional, isto é, o casamento operava-se muito no interior do seu grupo social: Jornaleiros com jornaleiras, proprietários com proprietárias. As muito raras excepções só serviam para confirmar a regar.
Também a endogamia geográfica é bem vincada. Dificilmente um de fora da terra vem casar-se aqui. Explica-o mais o profundo isolamento da Gafanha por falta de vias de comunicação, do que o sentimento da comunidade, ver no casamento de um estranho com uma rapariga da Gafanha, uma provocação e um dano para a comunidade e principalmente para os rapazes.
Daqui a frequência de consanguinidade, isto é, o casamento entre parentes afastados, se tornar uma constante.
O namoro também obedecia a determinados hábitos tradicionais. Começava por ter lugar junto do portão da rapariga. Meses depois o rapaz adquiria a liberdade de acompanhar e até auxiliar a rapariga nos afazeres caseiros: tratar do gado, fazer-lhes as camas, mungir as vacas, etc. Numa terceira fase já lhe era permitida autorização para namorar dentro da sala, à luz do candeeiro, a coberto dos olhares indiscretos dos que passavam.
Terminava à hora da ceia. Os familiares comiam da mesma bacia e não convinha repartir a comida. Além disso, era preciso no final arrumar a mesa, dar de comer aos cães e lavar a bacia e os talheres.
Também havia uns dias preferidos. Pouco tempo às terças e quintas e mais uns quartos de hora aos sábados e domingos.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O casamento na Gafanha

Fotografia da 1ª Igreja da Gafanha da Nazaré
Antigamente os casamentos realizavam-se aos 24, 25, 26 e 27 anos e eram preparados pelo namoro, que muitas vezes durava sete anos.
Fazia-se na casa da rapariga, à lareira e na presença dos pais.
Era raro ser à porta do telheiro e neste caso, quando a rapariga despedia o namoro, esta quase sempre e com o fim de regresso a casa, o namoro que por isso mesmo é quotidiano e de pouca confiança pelas consequências desastrosas a que tem dado origem.
O casamento faz-se actualmente aos 19, 20, e 21 anos e quando se faz aos 16, 17 e 18 anos costuma ser um mau prognóstico. O namoro dura um e dois anos.
Seis meses antes do casamento o pai do rapaz vai pedir a rapariga. É o que se chama a pedidela, que é feita em casa dos pais dela e celebrada com uma ceia que consta somente de bacalhau ou enguias cozidas com batatas, broa e vinho.
É desde esse dia que os pais dos futuros esposos se começam a visitar e a tratar por parceiros ou senhores parceiros, segundo a idade.
Só nos últimos tempos os noivos começam a pedir a bênção aos pais e sogros e assim continuam a usar quotidianamente e sempre.
Antigamente a toilette do noivo constava de calça, colete e casaco de pano castor, de Saragoça, de briche ou de outras fazendas pretas.
O gabão de burel e mais tarde de Saragoça ou de catrapianha, era uma peça obrigatória. A camisa para este acto era engomada no peito, colarinho e punhos.
O noivo levava chapéu de aba larga e sapatos de 500 reis, grosseiros e geralmente brancos.
Os vestidos da noiva constavam de saia de fraldilha de seis varas e tinha uma forra de baeta preta ou azul, aplicada externamente pela orla, que tinha a largura de oito centímetros.
O paletó era guarnecido com liga de seda ou de lã, a qual, tendo circundado o pescoço, se continuava pela orla das duas folhas e da roda. O paletó não tinha colarinho e mal chegava à cintura.
Punha lenço roxo e o chapéu grande e o capote de feitios, que já foram descritos, completavam a simples indumentária da antiga noiva.
A indumentária de hoje, embora sóbria, já está muito modernizada.
A madrinha do casamento oferece actualmente à noiva uma camisa de Bretanha, um corpete, um lençol, um travesseiro, uma almofada de cama e um guarda-cama. O padrinho oferece qualquer quantia ao noivo e paga as despesas na igreja.
Cada um dos que tomam parte no acompanhamento e no afazer quotiza-se com certa quantia para as despesas do afazer. É o que se chama pagar à mesa.
O protocolo do casamento é o seguinte: Ao entrar na igreja, vão à frente o noivo e o padrinho, a seguir a noiva e a madrinha e depois o acompanhamento de homens e mulheres.
Ao realizar-se o acto litúrgico, ao arco cruzeiro fica o noivo à direita e nesta posição assistem à Santa Missa e comungam junto ao altar. Ao sair, vão à frente os noivos e atrás segue o acompanhamento.

Transcrição do que a “Monografia da Gafanha”, do Padre João Vieira Rezende, nos diz sobre o Casamento.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Farol da Barra de Aveiro (parte III)

Os trabalhos não foram tão céleres quanto seria de desejar, o que levou o ilustre parlamentar José Estevão a pedir ao Governo, em 4 de Julho de 1862, na Câmara dos Deputados, a construção de um farol na nossa costa. No ano seguinte, em 15 de Setembro, a Câmara Municipal de Aveiro apresentou a el-rei D. Luís uma exposição, requerendo a edificação de um farol ao sul da barra.
Para justificar a sua petição, a autarquia aveirense recorda que importa "evitar os naufrágios que tão frequentes se têm tornado nestes últimos tempos, no extenso litoral entre o Cabo Mondego e a Foz do Douro". E acrescenta: "Ninguém pode duvidar, Senhor, que numa costa tão extensa como acidentada, em que as restingas ou cabedelos se formam pela a violência das correntes, cuja direcção varia diariamente, um farol evita que os navios, se singram próximo de terra, se enganem no rumo, vencendo as dificuldades da navegação sem correrem o risco de naufragar nos bancos de areia, às vezes em noites bonançosas, como infelizmente tem sucedido entre nós."
A resposta do Governo não tardou. No dia 26 de Setembro de 1863, uma portaria governamental ordena que se fizesse o projecto e o orçamento. O projecto foi concluído em 5 de Abril de 1884 e os trabalhos da construção iniciaram-se em Março de 1885.
A inauguração oficial do farol aconteceu em 31 de Agosto de 1893.
FIM
Artigo da autoria do Prof. Fernando Martins e publicado no Livro do XXII Festival, realizado em 8 de Julho de 2006.

domingo, 8 de novembro de 2009

Farol da Barra de Aveiro (parte II)

Reza assim, na parte que nos diz respeito, como se lê na revista "Arquivo do Distrito de Aveiro", em artigo assinado por Francisco Ferreira Neves:
" Há por bem sua majestade el-rei (D. Pedro V) ordenar que o director das obras públicas do distrito de Aveiro, de combinação com o capitão daquele porto, e com o director-maquinista dos faróis do reino, trate de escolher o local nas proximidades da barra que for mais próprio para a construção de um farol, devendo o mesmo director, apenas se ache determinado o dito ponto, proceder, de acordo com o referido maquinista, à confecção do projecto e orçamento da respectiva torre com a altura conveniente para que a luz seja vista a dezoito ou vinte milhas de distância.
Sua majestade manda, por esta ocasião, prevenir o sobredito funcionário de que encomendará em França, para ser estabelecido no mencionado local, um farol lenticular de segunda ordem, do sistema de Mr. Fresnel, e semelhante ao que se destina ao Cabo Mondego, cujo desenho se lhe envia, com a diferença, porém, de ser girante para o distinguir dos faróis que lhe ficam ao norte e ao sul daquele porto"
A Barra de Aveiro tinha sido aberta em 1808 e eram conhecidos os riscos que ela oferecia à entrada das embarcações, "com prejuízos que podem resultar à humanidade e ao comércio", como se sublinha na referida portaria.
No mesmo artigo de Francisco Ferreira Neves, lembra-se que a comissão nomeada para a determinação do local em que deveria ser construído o farol deu o seu trabalho por concluído em 11 de Julho de 1858. Entretanto, os naufrágios sucediam-se entre o Cabo Mondego e a Foz do Douro, "por falta de sinalização luminosa nesta parte da costa marítima".
(Continua)
Artigo da autoria do Prof. Fernando Martins e publicado no Livro do XXII Festival de Folclore, realizado em 8 de Julho de 2006.

sábado, 31 de outubro de 2009

Farol da Barra de Aveiro

Foco luminoso, eléctrico, foi montado há 70 anos.

O Farol da Barra de Aveiro, situado em pleno concelho de Ìlhavo, na Gafanha da Nazaré, é um ex-libris da região aveirense. Imponente, não há por aí quem não o conheça, como um dos mais altos de Portugal e até da Europa. Já centenário, faz parte do imaginário de quem visita a Praia da Barra. Quem chega, não pode deixar de ficar extasiado e com desejos, legítimos, de subri ao varandim do topo, para daí poder desfrutar de paisagens únicas, com mar sem fim, laguna, povoações à volta e ao longe, a dominar os horizontes, os contornos sombrios das serras de perto e mais distantes.
À noite, o seu foco luminoso, rodopiante e cadenciado, atrai todos os olhares, mesmo os mais distraídos, tal a sua força. Mas são os navegantes, os que mais o apreciam, sem dúvida.
Ora, esse foco, que começou por ser alimentado a petróleo, passou a beneficiar da energia eléctrica em 1936, completando, este ano, 70 anos de existência. Bonita idade para tal melhoramento merecer ser assinalado, embora de forma simples, com esta nota.
Se tem lógica e algum merecimento a recordação desta efeméride, não deixa de ser oportuno e justo lembrar que este ano também se podem celebrar os 150 anos da portaria do ministro das Obras Públicas, engenheiro António Maria de Fontes Pereira de Melo, assinado em 28 de Janeiro de 1856 e dirigida ao director das obras públicas do Distrito de Aveiro, engenheiro Silvério Pereira da Silva, que dá orientações para se avançar, rumo à futura construção do nosso Farol.
(continua)
Artigo da autoria de Fernando Martins e publicado no Livro do XXII Festival, que se realizou a 8 de Julho de 2006.

sábado, 17 de outubro de 2009

Igreja Matriz da Gafanha da Nazaré

A Gafanha da Nazaré é uma terra que tem evoluído muito ao longo dos tempos. Os seus habitantes não têm poupado esforços no sentido de a tornar mais moderna e mais acolhedora, quer para os naturais, quer para quem a visita. Povo religioso por natureza, procura cuidar do seu templo de modo a que também este reflicta a modernidade da terra.

Deixamos aqui alguns registos fotográficos de épocas distintas para ilustrar o que atrás foi dito.



segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Fotografias antigas da nossa terra

Farol da Barra em construção
Praia da Barra há uns anos atrás

Esta ponte suponho ser a que ligava o Forte à Praia da Barra. Se porventura não for, agradeço que me corrijam.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Praia da Barra


Agora que é chegada a época de férias, nada como dar um pouco de visibilidade às belezas naturais da nossa Gafanha da Nazaré.
Quem é natural de cá e mora longe, pode matar as saudades; quem anda à procura de boas praias e não conhece esta zona, aqui fica uma óptima sugestão: Praia da Barra.
Fica situada na freguesia da Gafanha da Nazaré, no concelho de Ílhavo, distrito de Aveiro.
Possui bandeira azul e um extenso areal, além de ser ideal para a prática de desportos náuticos como o surf e o bodyboard. Poderá ainda provar as excelentes especialidades gastronómicas da região. E claro, nos dias 11 de Julho, na Gafanha da Nazaré ou no dia 8 de Agosto, na Praia da Barra poderá assistir a dois Festivais de Folclore de grande nível.
Visite-nos e não ficará desiludido.

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